Desarmado estou. Não totalmente, é claro, mas quase. Quase porque ainda restaram-me duas: a língua e os dedos. E com elas ainda argumento e escrevo. E nessa condição de quase desarmando saber que o crime organizado possui duas vezes mais armas que a polícia (ele 5,2 milhões, ela 2,1 milhões); saber que há 17,6 milhões de armas, quase uma para cada dez habitantes e que 57% delas são ilegais; saber que somos o segundo maior produtor de armas leves do Hemisfério Ocidental, apenas superado pelos Estados Zunidos e que a fabricação tem gerado lucros milionários para as nossas indústrias; saber que as empresas de segurança privada, verdadeira polícia paralela, detêm 301 mil armas nas mãos; saber que a maioria das armas usadas por criminosos brasileiros para nos matar são fabricadas aqui mesmo; saber que a indústria de armas não foi afetada pelo tal Estatuto do Desarmamento, em vigor desde 2003; saber que a Tauros é a galinha dos ovos de ouro da indústria de armas brasileiras; saber que até armas de brinquedo foram proibidas para que a criança não desenvolvesse a violência; saber que a criminalidade continua campeando, tanto em grosso quanto no varejo; saber que eu continuo com medo daquele que porta uma arma, bandido ou não, pouco importa; saber que desarmado poderei morrer como um cachorro nas mãos de um ou de outro, mesmo sem oferecer a mínima resistência; saber de tudo isso e mais alguma coisa e só poder fazer o que estou fazendo é desesperador. Mas, otimista como sou, sigo repetindo com os meus botões... Eu acho arretado!
Valeu, Cara! Continue, pois tb acho arretado...
ResponderExcluirEu acho ARRETAAADO!
ResponderExcluirProfessor, é impressionante a quantidade e diversidade de temas que o senhor põe em questão em seu blog! Sem falar da qualidade dos artigos! Parabéns pelos excelentes textos que muito nos ajudam a refletir sobre a realidade desse mundo em que vivemos.