domingo, 30 de janeiro de 2011

A culpa é de Deus

Já disse e repito, é de Deus. Se não é? Claro que é! É porque, todos sabemos que pobre vive de teimoso. Vive por viver porque está vivo mas só presta prá morrer. E morrer de qualquer jeito. De furacões, enchentes e terremotos passando, é claro, vez em quando, pelas pestes e modernas pandemias que afligem a humanidade ... pobre. Se não é?! Veja bem. Tudo o que existe foi feito por Deus, inclusive os morros com suas encostas e o pobre prá morar nelas. O diabo é que o pobre insiste em desafiar a lei da gravidade anunciante que tudo corre para baixo. E quando cai a chuva sobre os morros o terreno se encharca, fica pesado e..., e... e o teimoso do pobre tá lá, agarrado nelas que nem carrapato na orelha do boi. E no que irá dar? No que tem dado, é claro! Pobre de ladeira a baixo, soterrado de cabeça para baixo, com o privilégio de ter seu casebre pendurado, não mais no morro, mas no seu pescoço. E quando isso ocorre – e como ocorre – sempre aparecem uns idiotas metidos a doutores tentando por a culpa no Estado, afirmando que o Estado deveria proibir os pobre fazer casas nos morros, por dentro de córregos, grotões, sucavões e rebentões. Essa é muito boa! Aliás, rico quando raramente assim morre o Estado dá um bom dinheiro aos sobreviventes de sua família como prova de amor a ele. Mas o pobre, em massa participante deste evento, apressadamente é – quando achado - enterrado como cachorro – quase infincado como pau a pique na lama, sem ao menos sabermos quem é. Boa, seu pobre, quem manda ter sido feito por Deus e habitar a Terra dos homens ricos! Tái, bem feito prá tu! Pois é! E eu, também morando no lombo de um morro, sempre olhando o céu prá ver se tá acizentado ou batendo com os pé no chão prá sentir se tá fofo, continuo a dizer: Eu acho arretado!

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