O Rio de Janeiro está em pé de guerra. Agora é lá e eu, como nordestino, fico pensando o que pensavam os de lá e outros que por perto deles ficam (sulestinos e sudestinos), quando ouviram falar em Belo Monte, Contestado e Lampião. Creio que desejavam tanto o fim deles quanto hoje queremos nós – todos nós – também o fim destes. Afinal, todos são bandidos, não? Bandidos foram os do beato Antônio Conselheiros tanto quanto bandidos foram os do monge José Maria. Lampião? Nem se fala! Ter um ser humano como bandido é uma questão de ponto de vista. Tudo bem. Já escrevi, não sei onde, assumindo um radicalismo incomum em mim mesmo, que bandido bom é bandido além da pá. Mas, será que é mesmo? O interessante é que, nos três casos, os fatos se repetiram. Aviões, canhões, metralhadoras, soldados, polícias ... guerra, enfim. Só a marinha é novidade. Aliás, a meu ver, deveria ter aparecido um cruzador naquela piscina daquela mansão abandonada. Ficaria bem mais emocionante. Pois é. O bem sempre vencendo o mal. Mas, de quem é a culpa das coisas chegarem onde chegaram? Minha? Sua? Do bandido que nada quis com a vida, preguiçoso e vagabundo? Ou do Estado que se manteve ausente na região durante décadas? Educação... saúde... Agora o Sr. Estado está heroicamente “conquistando” tais regiões do bandido e “entregando-as” à população. Bela beleza! Imagine! E porque o Sr. Estado não se manteve sempre nelas? Ora, ora. Ovacionou-se o “malandro” dos morros de lá durante décadas. E, não há negar, Moreira da Silva e outros, mas esperialmente o Moreira, poderosamente contribuíram para formar em mim a imagem do malandro carioca. A fala, a ginga, os trejeitos, os sapatos bicolores, os sambas de breque. Foi ou não? Os tempos mudam. E de malandro para bandido foi um passo. A basuca substituiu a “combléia” Rossi, cal. 22, de dois canos, e a “mão leve” que tirava carteira do bolso sem o “freguês” sentir, passou a empunhar um tal de AR15. O “craqui”, moda hoje, substituiu o cigarro, moda antiga. É isso aí! Sentado na minha poltrona vejo cenas próprias de um “Tropa de Elite” que, mesmo sabendo-as tristemente célebres, não me poupo de repetir ... Eu acho arretado!
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