E com “erre” maiúsculo. Aliás, Ele e Sua Esposa não ganharam dinheiro, não tiveram milionários patrocínios, nada de horário nobre em TVs, muito menos estiveram na mais bela e luxuosa casa de xôu de Recife, mas foram “eleitos pelo povo da cidade, e isso não tem preço” afirmou o próprio soberano, uma simpática e gordinha figura de 34 anos, 115 kg de muita alegria e disposição. E mais: professor universitário. Concurso? O primeiro com o título de I Concurso de Rei Momo do Povo do Recife, sem glamur, ocorreu no meio da rua, ou melhor, no Pátio do Carmo, para onde a felicidade ocasionalmente me levou a fim de prestigiar o evento. Poucas pessoas – uma centena, talvez – mas o suficiente para concordar com a eleição, e isso basta. E o Nosso Rei solenemente recebeu a coroa das mãos do ex-rei de 2010, e isso valeu. Mas, valeu mesmo! E vai mais valer ainda quando Ele e Sua Esposa desfilarem, no Sábado de Zé Pereira, acompanhando o Sr. Galo, não em carro alegórico, regalia reservada aos “modelos” do Sr. Prefeito, mas do chão. E isso será importantíssimo. Reis juntos ao povo é sinal de “Democracia Plena”. Pois é! Além de ter sido arretado o concurso; de ser arretado o casal gordinho real; de ter sido arretado a eleição que contou, pela primeira vez, com a verdadeira participação do povo; de ter sido arretado a decisão de desfilar democraticamente junto aos foliões; de tudo ter sido arretado, arretado ainda foi o que opinou um simples gazeteiro, mas comprovadamente profundo conhecedor dos anseios dos que por aqui por baixo andam: “Achei esse concurso maravilhoso. O que o prefeito fez é uma pouca vergonha, uma falta de respeito à cultura da cidade. Ele deve pensar direitinho no que fez. Ou vai perder muito voto por causa disso”. Se não? E eu ainda completo. Se a moda pega, amigo, ái das futuras e glamorosas eleições no tal do Baile do Municipal. Arretado, amigo, arretado! Arretado porque, além de endossar as suas palavras, ainda afirmo que ir de encontro às tradições de um povo significa, no mínimo, ir pelo lado contrário de si próprio como político. E ele que se cuide. Tenho dito. Eu acho arretado!

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