Houve um tempo p’ra trás em que a coqueluche era transformar qualquer pedaço de terra brasileira num município, bastando para isso a votação dos que no pedaço moravam, sempre sob a batuta dos que no pedaço mandavam através dos já famosos currais eleitorais ou coisa que o valha. E o “povo” queria e o pedaço de transformava em um município. Foram tantos surgindo que as más línguas diziam ser mais u’a manobra dos politiqueiros p’ra mais facilmente roubar os cofres públicos, já que mais prefeitos significava mais possibilidades de roubo. Verdade ou não, o certo é que havia municípios com tão poucos munícipes e recursos que a arrecadação de impostos não dava nem p’ras “despesas pessoais” dos próprios prefeitos, quanto mais com a coisa pública. Se era ou não (esse “não” em virtude, talvez, dos roubos neles já havidos) o certo é que era. Bem, hoje, nesse Brasil de meu Deus, existem só 5.565 municípios (só?!) significando o mesmo número de prefeitos e, claro, mais que o décuplo de apadrinhados como sempre fuçando o nada como servidor público. E tá dando no que tá dando, com as prefeituras ainda não sabendo de onde tirar os recursos para pagar o mega aumento de R$ 5,00 no hiper salário mínimo de R$ 545,00, pois, segundo elas, os gastos com os servidores vão extrapolar o limite permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que é de 60%. Puxa, só cinquinho fazendo isso?! Credo! E de acordo com o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, serão 650 as cidades que estarão com as contas no limite ou que vão ultrapassar o percentual estipulado em lei. Segundo ainda este cidadão, “A arrecadação das prefeituras não aumenta (ué!... estão morrendo os munícipes, não estão nascendo ou estão saindo do Brasil?!). E continua “O Congresso age de forma irresponsável com os municípios. Além de aumentarem o salário mínimo, governadores e governo federal estão cada vez mais passando atribuições aos prefeitos”. Beleza, Sr. presidente, beleza! Aliás, esquecendo esse mundão de Brasil, só por aqui, nesse tão amado Pernambuco, 54,4% das receitas do município é o limite para gastos com folha de pagamento; 55% dos prefeitos de cidades de Pernambuco poderiam ser considerados, hoje, inelegíveis (imagine!); 184 é o número de municípios, só neste Estado e, afinal, 100 prefeituras gastaram mais com os servidores do que permite a lei. Isso é que é bom, senhores prefeitos, isso é que é bom! E eu acho arretado!
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