Bem, é a seguinte: Logo após as primeiras ásperas palavras, a atitude correta a ser tomada é a denúncia porque a denúncia é importantíssima já que só pode o agressor ser preso em duas únicas situações: ou em flagrante delito ou quando existe um mandado judicial. Como flagrar não é mole, só resta a outra opção e esta só se obtém de maneira especial. Assim, se por acaso houver alguma testemunha, um parente ou um aderente, ou mesmo um vizinho ou amigo (quem sabe?) que tenha bons ouvidos e escutado alguma briga, ou briguinha, discussão besta também serve, ou uma boa vista e tenha visto e presenciado algo de anormal entre você e ele, vá juntando tudo isso para a denúncia, já que a denúncia tem que ter fundamentos, e muitos fundamentos. Se das ásperas palavras passar ele para os tabefes, aí é que você tem que voltar à delegacia, de preferência à “sua” delegacia, talvez mais “sua” do que a “sua” novela ou a “sua” própria igreja, pelo simples fato de que ela é sua, só sua, e lá conte tudo outra vez. Vá, conte, volte e... bem... continue apanhando porque isso também faz parte do processo e fará parte do processo contra ele. Inclusive se ele descumprir a medida protetiva (por exemplo, ficar tantos metros longe de você, decidindo o juízo a metragem de acordo, talvez, com a força do braço do cara e que obriga a você andar com uma fita métrica na sacola) retorne à sua delegacia e, depois de mostrar todas as “ronchas” pelo corpo, conte tudo outra vez. Sim, porque só contando e apanhando e apanhando e contando é que você, além reunir todos os elementos para uma grande e inatacável denúncia, também aos poucos estará conseguindo convencer a todos de que quem apanha é você e não eles. E veja bem, não são só por palavras ásperas ou tabefes que você deverá ir à sua delegacia. Qualquer agressão é agressão. Tapas, murros, jogar você contra a parede, usar combustível p’rá fazer de você de pavio... tudo! E se você se livrar delas e continuar viva, mesmo molinha, volte à sua delegacia e, pacientemente, conte tudo outra vez, conte mesmo que o homem continue solto e lhe aterrorizando. Conte, conte e conte porque um dia, talvez, ele mais arretado do que nunca, acabe com a sua vida! E aí, minha amiga, mesmo lamentando, eu só poderei dizer: Eu acho arretado!
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