Outro dia passei por uma dessas avenidas que há em nossa belíssima e histórica cidade, pequena porém decente, e presencie uma interessante cena. Se não? Pois sim. Sol a pino, já beirando quase uma hora da tarde. Um automóvel parado bem no meio do cruzamento com a porta do lado do carona machucada. Ao seu lado u’a motocicleta caída com a roda dianteira torta, guidão troncho, toda empenada, dando-me a entender que ela houvera dado uma respeitável birrada naquela porta. Mais adiante, do lado do motorista, a uns quatro metros, um cidadão brasilêro aparentando ainda ser moço, placidamente jazia deitado de papo pru ar, com as costas grudadas no chão quente, logicamente de cara para o lindo e ofuscante sol da tarde, sol de derreter gelo. Permanecia parado, calado, suado, estatelado ... só olhando p’raquela bola de fogo que lá em cima, linda, no céu reluzia ardentemente. Curiosos em volta, trânsito transtornado. E o cidadão brasilêro lá. Ninguém tocava nele. Só olhava. Nem, pelo menos, para pô-lo numa daquelas poucas sombras que por ali havia. E já fazia um tempão que o cidadão lá estava, só baixinho gemendo, numa boa, provavelmente todo quebrado. Tempos depois, mas muitos tempos depois, talvez mais tempos do que o necessário, é que chegou o socorro sobre as rodas de uma respeitável senhora chamada SAMU que, de maneira nenhuma, estou contra ela. Não, muito pelo contrário. Louvável o seu incessante trabalho. Mas, que tal se alguém pudesse fazer, como antigamente se fazia, qualquer coisa por aquele cara! Um mínimo de coisa. Pelo menos tirá-lo daquele sol escaldante, não? Sim, porque, não duvido muito que as costas dele tiveram umas queimaduras de qualidade! E a vista? Meu amigo, pense direitinho. Será que não há algo, se não algo pelo menos “alguinho” errado? Afinal ouço dizer que muitos outros em situações semelhantes foram comer capim pela raiz exatamente por terem passados aqueles cruciais minutinhos sem um mais rápido atendimento, minutinhos que poderiam ter sido “usados” se tivessem sido socorridos por qualquer um piedoso humano. Ora, ora! Mas que bobagens estou escrevendo, não?! Afinal morremos de qualquer jeito! Mas, pensando direitinho... Bem, sem nada ser para algo mais a respeito dizer, apenas vou continuar dizendo: Eu acho arretado!
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