Meu amigo se cuide, mas, se cuide mesmo. Se cuide porque, pelo que estou sabendo, e do jeito que as coisas andam, não vai durar muito para que nós não tenhamos mais nem um cantinho, mas nem um cantinho mesmo, nesse mundão de meu Deus onde possamos, com segurança, nos esconder. Aliás, não só se esconder não. Um cantinho para nós também conseguirmos ficar a sós com nós mesmos, ou seja, só, absolutamente só como, por exemplo, num banheiro, à vontade, tomando aquele banhão, ou mesmo – sem muito estar só - numa cama aos beijos e abraços com quem quer que seja, dando uma de Eros e “fazendo amor”. E isso quer de dia ou de noite! Se não? Se não uma droga! Olha só o que estou sabendo e que talvez você não esteja sabendo: Um jornal lá dos nossos amigos do Norte informou a todos os humanóides vivos que a Agência de Inteligência deles utilizou sofisticadísssimos aviões não-tripulados, para que não fossem detectados mesmo à grandes altitudes, equipados com câmeras que só eles mesmos devem ter, a fim de obterem vídeos de altíssima resolução, muitos meses antes do Sr Bin ser morto naquela - para eles - vitoriosa operação realizada por suas Forças Especiais, no dia 1º de maio. A CIA – a CIA também é deles – também utilizou satélites e equipamentos de escuta à muitíssima distância, de “ultimíssima” geração, além de agentes (também dessa última geração, claro) baseados em uma casa em Abbottadad onde aquele ex-senhor teria morado por cinco anos até ser localizado. E agora, está ou não o meu amigo começando a acreditar no que afirmei lá em cima? Meu amigo, é negocio p’rá cinema. Mas, não se exaspere não. Como nós somos amigos e como eu gosto de você, aqui vão apenas três dicas que até não poderão resolver seu problemas mas, pelo menos o porá em “alerta máxima”, e que devem ser postas em prática o mais breve possível. Lá vai. “Aconselho-vos-à-vós”, doravante, a: 1) diuturnamente, com possante binóculo pregado nos olhos, prescrutar os horizontes celestes em busca de “objeto não identificado” porque pode ser que por lá esteja um “lhe filmando”, talvez até equipado com câmeras de raio x – e aí é onde está o problema no seu banheiro e na sua cama; 2) falar só o necessaríssimo, e antes de fazê-lo atentamente vasculhar, num raio de trinta quilômetros, à cata de até algum nano-microfone, com ou sem fio, e 3) num raio ainda maior em volta de sua residência, investigar a vida pregressa, presente e especialmente futura, de cada morador e suas prováveis intenções por estar morando alí. E se, por acaso, algum deles for bem alvo e de olhos azuis e ao seu “boa noite” responder “gudi náite” aí é que o meu amigo deve redobrar as atenções em cima dele, meter os pés p‘rá trás e ficar com a pulga atrás da orelha. Sei lá! Pois é! Eu, pelo menos, já comecei a assim proceder pelo simples fato de não só primar pela minha existência como também porque... Eu acho arretado!
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