Estamos no mato sem cachorro. Por que? Imagine um empregado de uma casa que vende e conserta bicicletas, que abre uma loja especializada em dar “dicas” sobre tudo o que nela acontece. Ele, que de cor e salteado sabe de todas as “maracutaias” referentes às vendas e consertos de bicicletas na casa onde trabalha, passa a dar todas as “dicas” para quem, na sua loja, lhe pergunta sobre toda a movimentação dela. E ele, além de dar “de bandeja” e cobrar “os tubos” por esse “grande trabalho”, ainda acha que não está “fazendo nada de mais”. Imagine! É mesmo que roubar, não? dirá o amigo leitor, no que retruco, é mesmo que não, não! É mesmo! Um sujeito desse, na opinião de qualquer um, não vale um tostão de mel coado, no mínimo sendo tido como um “mau caráter”. Bem, firmado isso, vamos sair da LDD (Loja Das Dicas) e de leve dar um pulinho lá por um “malassombrado” palácio que há num plano alto e bem central, no meio de uma ex-selva danada, palácio que, indubitavalmente é, “danação”, o centro de “todatenção”. Aliás, dizem ser ele “malassombrado” porque em seus corredores vagam sombras de pessoas, e em suas paredes ecoam vozes de pessoas que fizeram ou fazem, que disseram ou dizem coisas que até Deus duvida. Bem. Deixando isso p’rá lá, o certo é que hoje em dia, mesmo não tendo nem rei nem rainha, muito menos um “Primeiro Cavalheiro” – se houvesse talvez tivesse a mesma ocupação que têm as “Primeiras Damas” – mas, em compensação, está cheio de ministros. Meu amigo, é tanto ministro que já perdi as contas. É ministro p’ráqui, é ministro p’ráli, é ministro p’rálá, é ministro p’rácolá. É p’rá tanta coisa que só se anda “trupicando” em ministro. E ministro de todo tipo, sabe! Trapalhão, fanfarrão, relachador-gozador... Tem até ministro-consultor! E esse é que é do bom. Aliás, tem cinco. Cinco que, apesar de agirem igualzinho ao mau caráter lá de cima, não são mau caráter só porque são ministros. Sim, porque ministro é ministro e ser ministro não é a mesma coisa que ser empregado de loja de bicicleta, não é mesmo? Aliás, tem um que em apenas quatro anos vintiplicou sua já imensa fortuna em vinte vezes mais. Esse é o ministro-consultor-condor, do tipo que “só voa alto”. Bem, também deixando isso p’rá lá, o certo é que esses ministros, ao que parece, são nomeados com um único objetivo: adquirir um profundo conhecimento sobre os intrincados meandros - verdadeiros igarapés - que levam aos cofres públicos a fim de, com segurança orientar aos que procuram suas “lojas de consultorias” e assim, com maior desenvoltura e usando de uma “boa estratégia”, assaltá-los “em suas raízes”. Se não? E o meu amigo leitor ainda duvida? Eu mais não. E é exatamente por causa desse “mais não” que Eu acho arretado.
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