Eu não acredito que um humano, seja ele qual for, muito menos um homem letrado, doutor até o dedão do pé, que alisou dos bancos de escolas, colégios pré-vestibulares e faculdades, vivido e muito bem vivido nessa vida, tenha tido a coragem de condenar uma criança de apenas treze anos, como fez o titular da 27ª Promotoria da Infância e Juventude, em Campo Grande (MS). Treze anos... na flor da inocência e na flor da idade, duas flores que por ninguém devem ser maculadas, e esse desalmado humano, indo de encontro a todas as leis da moral e da justiça, condenou e condenou p’rá valer. E condenar uma inocente criança de apenas treze anos a ter que limpar o pátio da escola e lavar as louças da merenda durante três meses, é simplesmente desumano e absurdo. Criança é criança, como sempre criança foi, e criança deve ser tida e tratada como criança, respeitada em todos os seus parâmetros, sentimentos e em tudo que nela há. Contra uma criança, Seu Doutor, não se deve nem levantar um pouco a voz, muito menos para ela olhar com expressão de repreensão porque são constrangimentos, e constranger uma criança se está sujeito “às apenas da lei”. E como é que o senhor contra ela praticou um ato de tão escabrosa magnitude? É simplesmente dantesco, inominável! Só porque o senhor “tem o poder” de fazer? Mas, tá errado, seu Doutor, tá errado! Claro, claro que “lugar de criança é na escola”, mas na escola estudando, aprendendo, botando os neurônios para funcionar, tendo todo o aconchego e carinho amigos dos que fazem a escola, inclusive e especialmente de dedicados professores, com livros, lápis, canetas e todos os instrumentos necessários para uma perfeita aprendizagem nas mãos, não com um vassourão varrendo o pátio ou com uma bucha adubada com detergente lavando pratos de quem quer que seja porque isso é, simplesmente, humilhante, senão degradante. E não se deve humilhar nem degradar a ninguém, muito menos uma criança. E além dessas duas penas, ainda o senhor a condenou ter que assistir um curso contra o tal do bulingue?! Essa não, porque assim é demais! Bulingue é isso, seu Doutor, bulingue é isso! E com certeza, essas atitudes contra ela deixarão marcas indeléveis em seu psiquismo que talvez nenhum psiquiatra poderá apagar podendo ela ser, por conta disso, um dos maiores criminosos que a humanidade já produziu. Se não? Já pensou... uma criança varrendo pátio na frente das outras crianças? De que forma ela poderá, por toda a vida, ser apontada? Um estigma na vida dela, um estigma! Ademais, a criança já se mostrou arrependida do que fez o que denota quão de sua inocência foi violada. E não venha tentar convencer dizendo, como o senhor disse, que “Essa medida é uma oportunidade para ele (foi um menino) aprender a não realizar novos atos como este.” E onde estão os direitos dela e do adolescente escritos lá pelas leis e no seu Código? Mas, o Seu Doutor não ficou por aí pois, não satisfeito em dar à criança essas três condenações, ainda condenou a mãe dela, que nada tinha a ver com o pato, a devolver a mãe da suposta vítima, também um outro garoto, cerca de “$ 500 mangos” que a suposta criança infratora houvera extorquido da outra durante um ano. Sinceramente, pelo amor de Deus, mas isso é um absurdo! Só em Campo Grande mesmo! Só porque o suposto infrator estaria extorquindo dinheiro de um colega de escola?! E como essa criança pode ser um bom profissional quando adulto se não começar a praticar quando criança? Afinal, é essa modalidade de ação que mais ela vê por aí, inclusive no meio político, não? Vá ver que ela pretende seguir a carreira política e o senhor está indo de encontro às “aptidões” dela e impedindo que ela seja um “bom profissional”. Ah! se essa criança fosse minha! Com certeza esse Doutor Promotor iria ver com quantos paus se faz uma jangada. Se não veria? Pois é, tenho dito: Eu acho arretado!
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