“É um plano ambicioso e com ações complexas”, disse a senhora ministra extraordinária (talvez nunca extraordinária ministra) do Desenvolvimento Social. “Sim, nós faremos sim, nós vamos tirar as pessoas da extrema pobreza”, completou uma outra senhora, não sei porque não ministra mas apenas secretária extraordinária (também talvez nunca extraordinária secretária) de Erradicação da Pobreza. E isso em quatro anos. Um, dois, “trêis” quatro! Entretanto, a ambas retrucou o Ilmo. Sr. Presidente do IBGE, como sempre arrudiado de estatísticas: “É uma impossibilidade estatística (ói, eu num dixe!) chegarmos a um valor zero de miseráveis no País”. Bem. Em primeiro lugar, quisera ter certeza com qual dos três está a razão, o que não é difícil imaginar. Em segundo lugar, não tenha o amigo leitor os miseráveis aqui focados nos mesmos moldes dos miseráveis do escritor francês. Estes são ruins, algozes, atrozes. Aqueles não mais que miseráveis mesmo pois ganham por mês, cada um, até (a-t-é!) setenta “real”, nesse caso também chamado “merreca”. Imagine... e continue a imaginar um pouco mais. Aliás, segundo aquele presidente, miserável não é apenas o humano que ganha setentinha mensal, mas que também não tem acesso à energia elétrica, ao abastecimento d'água, ao esgotamento sanitário e a banheiro, em sua... é... casa! Mas, talvez para as nossas senhoras lá de cima, ou melhor, cá de cima, isso não seja “pobrema” pois tão pouco número de miseráveis (cerca de 16,5 miliões apenas!) ocupam pouco mais de quatro milhões de... é... casas, fácil o bastante de serem saneadas, energizadas, esgotadas e mais um pouco merrecadas. O amigo continua a imaginar? Beleza! E esses miseráveis, segundo os entendidos, não se concentram mais no campo, como antigamente, mas nas cidades e, como não poderia deixar de ser, o Nordeste é campeão em abraçá-los fraternalmente. Pipocas! Vai ser recordista do que não presta, assim, na Coxixina! Bem. Quanto ao plano, nada contra. Às opiniões, também. Entretanto permite-me o meu amigo leitor eu externar as minhas “opiniões”? Permite? Então lá vão (aliás, até poderiam ser dadas como “dicas” aos interessados) pois estou definitivamente convencido que para erradicar, de uma vez por todas, o fantasma da “miséria extrema” que sempre presente por aqui esteve é só 1º) ou acrescentar, aos setentinha, mais cinquinho, como “fizéro” com o “Saláro mimo”, ou então 2º) ir ao sempre deputado Justo Veríssimo, amicíssimo do Chico Anísio pois ele, o deputado, durante muito tempo, apresentou ao seu povo razoáveis e inteligentes planos, mais que seguros, p’ra acabar com a pobreza, inclusive extrema. Pois é! Creio estar o seu escritório de consultoria ainda aberto a quem interessar possa. E por que não? Eu, nem pobre nem rico, mas, mais muito mais p’rá lá do que p’rá cá, capengando e quase caindo, nestes meus poucos anos de vida caminhei sempre vendo e ouvindo o que ainda vejo e ouço das “otoridades” hoje constituídas ou de outras, outrora também constituídas e desconstituídas por esse mundão afora, sempre com meus botões dizendo: Eu acho arretado!
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