terça-feira, 10 de maio de 2011

O ciclo se repete

Ano passado, ano de eleições, choveu p’rá cachorro, ou melhor, p’rá pato, nesse Pernambuco de meu Deus, havendo cidades da ex-zona da mata que por pouco não foram riscadas do mapa. Barreiros, Palmares... Meu amigo, sem pretender, de forma alguma, gozar com os problemas alheios mas, ver o que eu vi pelas redes de comunicação, sem exagero, causou dó em mim mesmo. Casas inundadas até o teto, gente pobre (sempre pobre) nadando que nem jacaré nas águas barrentas e imundas de rios que transbordavam e enchiam casas, ruas e praças, ou atoladas até o pescoço numa lama avermelhada tentando salvar, além da própria vida, o que não mais tinham. Meu amigo, um desastre. Um desastre em baixo, porque, por cima sobrevoavam os “helicopíteros” carregando suas preciosas cargas, quais sejam prefeitos, deputados... todos enxutos dos pés à cabeça, muito bem penteados e perfumados. Aqui e ali uma descidinha, uma ensaiada cara de choro, um aperto de mão ou um abraço num idiota qualquer e a promessa, a eterna promessa de ajuda. Improvisados abrigos, cestas básicas, ralos colchões, grossos cobertores tipo “chega p’rá cá minha nêga”. Tantas mil casas vamos construir para que o povo daqui tenha uma digna moradia, disse um, em uníssono repetindo outros politiqueiros da mesma laia. Entretanto a água se foi, a lama também, as cestas básicas caminharam para as fossas, os colchões se puíram, os cobertores se rasgaram e com eles as esperanças dos pobres. Porém “muitos outros”, por conta de tudo aquilo, foram eleitos inclusive, talvez, a própria chefe “danação”. Casas? Nem de pombo, meu amigo, nem de pombo! Um ano se passou e mais nada. E agora? Agora?! Tudo novamente: muita chuva, rios transbordando, tudo alagado e com lama, tudo outra vez perdido, o nado, o atolamento... E os “helicopíteros” com suas preciosas cargas, onde estão? E os contumazes politiqueiros de prontidão, onde estão? E as caras de choro, os apertos de mão, os abraços... Meu amigo é só ver para crer. Pois é! É que, não sendo este ano de eleição o tal do “flagelado” que se dane porque eu, eu mesmo com a minha “equipe” vou é p’rá Espanha resolver problemas cruciais para a “minha cidade”. E foi e é e sempre será assim, a não ser que muita coisa mude nesse país. Mas, enquanto não muda, amigo leitor, infelizmente eu, aqui do meu cantinho esquecido, só posso continuar repetindo: Eu acho arretado!

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