segunda-feira, 16 de maio de 2011

Taliãonando

Estou cansado de dizer que, antes de morrer, ainda verei nesse mundão de meu Deus, coisas que até os Deuses duvidam. Se não?! “Não é uma questão de vingança. Quero que saiba (deve ser “que ele saiba”) o que estou sofrendo. Mas também quero que sirva de exemplo para que outras meninas não sofram o mesmo martírio.”, disse ela. “Quando pedi a mão dela, me disse que iria se casar com outra pessoa, e então pensei em jogar ácido em sua cara para que seu namorado a deixasse.”, disse ele. Ela é a mulher que levou uma chuvarada de ácido sulfúrico no rosto. Ele é o homem que provocou a chuvarada. E não é necessário dizer ao meu leitor o que aconteceu com ela, exceto ter tido o rosto deformado com a perda das duas visões, mas é necessário dizer o que aconteceu e o que irá acontecer com ele. Ele foi preso; preso e julgado; Julgado e condenado. E condenado a receber, em cada olho, quer dizer, no esquerdo e no direito, dez gotinhas do mesmo ácido que usou contra a mulher que o rejeitou. Dez! Mas, senhores julgadores, uma só resolveria o problema, não?! E a pena será aplicada num Centro Médico. Pois é, num Centro Médico! Talvez porque os médicos desse Centro sejam, com precisão e pericia, despejadores de gotículas de colírios em olhos de pacientes. Sei lá, tô só imaginado! Bem, quanto ao ato, à prisão, ao julgamento, à condenação, ao Centro e aos médicos não sei não, mas, quanto à pena... ah! esta é estela (de estela, não de estelar) e taliãonarmente sumeriana, em vigor antes de Cristo uns três milênios. E parece que estou lendo nos livros de História: “olho por olho, dente por dente”... braço por braço, umbigo por umbigo ... ih!... é melhor parar por aí! Bem. Muitos irão gostar, muitos não irão gostar. Se irão ou não irão, o certo é que em nada tais fatos irão afetar o meu dia-a-dia, como também em nada irão me afetar se isso acontece aqui, ali ou no Irão onde, de fato, estão acontecendo. Meu amigo, cá prá nós. Pense bem... tás pensando? Imagine... pena de Talião nos dias de hoje. Eu não acredito! Num dá p’rá acreditar mesmo! Eu hem! Eu acho arretado!

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