Com o objetivo de reduzir – não impedir - as ocorrências de desastres e garantir a segurança e tranqüilidade da população, a Defesa Civil de Jaboatão dos Guararapes está botando (derivativo do verbo botar) um gel impermeabilizante, corretamente e ecologicamente biodegradável, uma espécie de cola que forma uma camada plástica e rígida sobre o terreno impedindo a penetração da água pelas encostas dos morros que estejam em áreas de alto e de multo alto risco (do muito mais alto e do “beste” alto também). A aplicação do produto evitará, com a chegada das chuvas que se avizinham, deslizamentos e mortes. Beleza! Aliás, segundo os técnicos especialistas no assunto, o tal gel “não só impede o crescimento da vegetação, como ajuda o seu desenvolvimento”, o que, de fato, não entendi. Mas, como técnico é técnico, deixa p’rá lá. “Vi eles botando água depois de passar o gel e, realmente, não infiltrou não. Vamos ver, né?” disse um cético morador das proximidades de uma baita barreira que, apesar de não balançar, tá cai mas não cai, logo completado por outro, esperançoso : “Eu preferia que fosse construído um muro de pedra, mas a prefeitura diz que é mais barato o gel, então, vamos esperar”. E o que acha o meu amigo leitor? Eu, como só conhecia gel p’rá passar na cabeça, qualquer cabeça e de qualquer um, cá com meus botões fico pensando no pobre do Planeta, de há muito vindo sendo coberto de piche, de cimento, de tijolo, de pedra, de plásticos pretos e amarelos e, agora, de gel. Que seja coberta todo, ora pois pois! E depois? Depois?! Depois eu pago p’rá ver, sempre dizendo: Eu acho arretado!
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