terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Transferência de responsabilidade

Tenho dito e repetido que a segurança de todos é um dever do Estado, segundo a nossa Carta atual. Mas, quando isso tá falido, tá no beleleu, que tal transferir a responsabilidade para o cidadão? E é o que ocorre, não só com os moradores de edifícios, como também com os porteiros que deverá, antes de mais nada, fazer um curso de capacitação, de três dias, pois só assim estará capacitado e será capaz de exercer a profissão. Aliás, diga-se de passagem que o programa “De Olho na Rua”, criado em 2004 e desde 2007 incluído no “Pacto Pela Vida”, já capacitou e treinou mais de 10 trabalhadores, dessa forma ensinando aos funcionários dos prédios a evitarem situação de risco. Portanto, se depois de “capacitado” acontecer o pior, com ele ou quem lá por dentro estiver, problema amigo, pois só aconteceu porque ele falhou, e não eu, o Estado. Pelo menos é o que estamos vendo no nosso cotidiano. O amigo leitor não acredita? P’rá começar, o presidente do SECOVI-PE está convicto de que a grande falha na segurança dos condomínios da RMR (Região Metropolitana do Recife) - haja siglas! está na falta de capacitação dos pobres dos porteiros. E em assim sendo, os órgãos competentes pela segurança pública, dão as seguintes “dicas” aos inseguros habitantes de edifícios, que são: muros com altura mínima de 2,8; rente aos muros sensores de alarme; sistema de câmeras e guarita protegida com película escura e sem contato direto com o transeunte. E para o porteiro capacitado, estas: ter o cuidado ao abrir o portão para qualquer pessoa, inclusive morador, não se impressionando com a aparência de ninguém; verificar se não existem pessoas suspeitas nas proximidades; avisar, através de um rádio a ele dado durante a capacitação, à polícia, sempre que observar algo suspeito e, por fim, com absoluta precisão identificar os carros de todos os moradores antes de entrarem ou saírem da área do edifício já que muitas vezes ele vê um parecido com o de um morador e deixa passar. Mas, ôi, senhores autoridades, e cadê os cães ferozes, as cercas de fios elétricos, os arames farpados, os cacos de vidros ou ferros pontiagudos sobre os muros?! Pois é, amigo. Enquanto você, que mora num desses caixões ou espigões que há por aí, procura seguir o que aqui lhe foi dito eu, do lado de cá, continuo a dizer: Eu acho arretado!

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