quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Mulher é mulher

Ontem, hoje, amanhã, sempre e amém. Andando, amando, odiando, parada, falando, cantando, olhando, calada. Matando ou dando a ou à vida. Pintada, retratada, fotografada. De frente, de costas, de ambos os lados. Vista de cima e vista de baixo. Lindas, bonitas, feiras, horrorosas. Bem ou mal feitas. Gorduchinhas, gorduchas, gordas, gordonas, prá lá de obesas. Magras, magrinhas, magricelas ou macérrimas não havendo, inclusive, como querem alguns, nenhuma diferença entre mulher e mulé. Sobre elas é impossível esgotar o inesgotável porque todas são, simplesmente, mulher. Mas, cá p’rá nóis, tem umas que os homens teimam em querer sejam elas mais que as outras. Senão? Ora, veja o caso da Sra. Mona Lisa. Nunca vi tão paparicada, tão visualizada, tão estudada, tão esmiuçada, tão microscopicada, tão... do que ela. Bolas! Imagine que agora os cientistas encontraram inúmeros “símbolos e metáforas”, inclusive cabalísticas, em suas diferentes partes como: 1) no olho direito; 2) no olho esquerdo; 3) na parte superior da face; 4) no sorriso; 5) na parte inferior da face; 6) no véu; 7) na ponte que tá por trás dela, junto ao pescoço; 8) na barriga. Assim, o primeiro representa um verdadeiro testamento pictórico, filosófico e biográfico; o segundo a fase da vida do pintor em que ele iniciou a obra; o terceiro uma beleza celeste, sagrada e pura; o quarto originalmente não era sorriso, mas expressão de zanga; no quinto foi pintado por um aluno e servo do autor e não por ele (um caso seu, aliás), cuja beleza andrógina representa o belo sensual, atraente e sedutor; o sexto denota um estado sombrio e triste em virtude da “modelo” estar grávida do grande pintor e ser, portanto, ilegítimo o filho, já que ela era casada; o sétimo não era aquela que se pensava ser, em Bobbio, mas outra próxima a Arno, na Toscana e, afinal, no oitavo o autor retrata a barriga da mulher grávida porque realmente ela estava, não de um outro amante dela, mas do próprio que, por sinal, nasceu de uma relação extraconjugal. Ainda bem que o quadro pára por aí senão... oi lá a encrenca! De quem seria ou o que representaria isso ou aquil’outro que não vemos mas, imaginamos? Bem, senhores cientistas. O que tá dito tá dito e nada sou para contradizê-los. Mas, pelo menos, posso “dizê-los”: Eu acho arretado!



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