Teria eu oitenta anos pois teria nascido em 1930, natural de Pinheiros, Maranhão. Teria sido eleito para a presidência do Senado por quatro vezes: 1993, 2003, 2009 e 2011. Teria sido deputado federal (56-66), Governador do Maranhão (66-71), Senador pelo Maranhão (71-85), presidente da república (85-90), senador pelo Amapá (91-97, 98-2006 e 2007 até 2014). Já teria sido do UDN (até 65) de onde teria pulado p’ru Arena (66-79), de onde teria pulado p’ru PDS (80-84), de onde teria pulado p’ru PMDB (84). Afora outros, que por baixo dos tapetes vermelhos teriam vindo, mas não vieram à tona, escândalos em que comprovadamente estive envolvidos só três: o primeiro, que seria intitulado “Atos secretos” revelados, em junho de 2009, diria respeito à medidas, editadas desde 1995, que permitiriam nomeações de familiares e aliados, criação de cargos de confiança e exonerações sem publicidade, na tal intranete do senado. Naquela época – boa época – eu teria nomeado tantos parentes meus e de outros senadores, tantos privilégios para parlamentares e funcionários que seria comparável, em número, à quantidade de letras que teria a Bíblia. O segundo de frente envolveria um ilibado amicíssimo, que por mim teria sido nomeado com a função específica para avalizar as assinaturas dos tais atos secretos, e que maldosamente teria sido acusado por um pasquim qualquer de possuir uma casa no valor de R$ 5 milhões. Ora, o que representaria cinco milhões?! O terceiro teria como epicentro uma Fundação com o meu nome, lá mesmo na minha terra, em São Luís (MA), que teria desviado recursos recebidos de patrocínio da Petrobras para preservação do acervo. Aliás, eu terminantemente negaria, até o fim dos séculos, vínculo com tal entidade, apesar de que teria constado o meu nome, no seu estatuto, como seu presidente. Por outro lado eu teria sido, sem querer, confesso, pela quarta vez, eleito presidente do senado mas, como dos meus 81 colegas 70 quereriam – que em mim se espelhariam e que representariam as tendências da Casa - diria que faria mais esse “sacrifício pessoal”. Aliás, todo o Planeta sabe que eu seria o parlamentar mais antigo em atividade no Congresso – lá em Pernambuco tem um mais velho, com um par de olhos vistos através das lentes de seus óculos que só vendo! - com mais tempo como político, mas não está aqui - o que me faria ultrapassar até babaca do Rui Barbosa, pois aqui eu estaria desde quando se amarrava cachorro com lingüiça. Por isso mesmo eu já teria visto 50 comissões parlamentares de inquérito, que o boboca chama de CPI e nenhuma, nunca! Jamais! em tempo algum! teria a coragem de levantar qualquer suspeita, nem um tantinho assim, sobre minha ilibada conduta pessoal. E mais: “ Eu já teria visto duas ditaduras, alguns golpes de Estado e dois fechamentos do congresso. Aliás – é que gosto muito dessa palavra – eu teria convocado a constituinte que se constituiria para constituir uma constituição – a oitava – e que depois, não por vontade minha, se desconstituiria; ainda mais eu asseguraria a liberdade do brasileiro, que dizer, do meu povo, concluiria a anistia e presidiria quatro eleições. Quer mais? Tá sabendo quem sou eu? Você tomaria as providências contra mim, se pudesse, por exemplo, fazer o que o povo do Egito está fazendo? Ir às ruas e berrar contra mim? Claro que não, não é mesmo? Portanto, você relaxaria e gozaria, como diria a minha primeira secretária, suplício p’rá muitos supliciados? Pois é. O outro único candidato que concorreria comigo que se dane! E, finalizando, certamente diria (sempre no “ria” porque as coisas ficam mais incertas) a todos vocês: vocês só livrariam de mim pela morte ... tô dizendo! Agora digo eu: é isso aí! Eu?! Eu quem?! Eu, ora, esse aqui, e não ele ... Eu ... Eu acho arretado!
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