Há não muito tempo vi a seguinte cena. No ônibus sentado eu estava. Ao meu lado, junto à janela, uma senhora com uma criança em pé no colo (dois anos, mais ou menos) segurando no ferro que horizontalmente fica acima do encosto do banco. No banco da frente, sentado, um jovem casal apaixonado aos beijos tipo desentupidor de pia (também há esse), completados pelos de língua, de beiços e chupados, tudo sendo visto por todos os circundantes e, a menos de dois palmos, pela criança que, aliás, curiosa, olhava o tempo todo para os dois amantes que pareciam estar a sós entre quatro paredes. Ninguém disse nada, muito menos eu. Bem. Outro dia fui ao mercado e lá presenciei uma cena semelhante mas, um tanto diferente. Dois homens, um de meia idade, barbudo, e outro aparentando ainda adolescente, bebendo umas e outras num bar próximo. Sentados, braços estendidos sobre a mesa, mão dadas (ambas as mãos) com certa força puxando os corpos para si, estavam nuns beijos tão ardentes e apaixonados que não dava para ver as bocas porque a barba do barbudo cobria ambas. Daí, infelizmente, não posso afirmar terem sido de língua, chupados ou do tipo desentupidores de pias. Ninguém disse nada, muito menos eu. Outro dia, era domingo, por volta da 15 horas, fui tomar uma cerveja num bar, daqueles que ficam ao ar livre, lá em Olinda. Repleto o bar. A tarde limpa. Na rua transeuntes. À mesa, ao lado, cinco lindas e ditosas jovens mulheres. Duas delas, de mãos dadas, beijavam-se tão apaixonadamente, tão ardentemente, tão vagarosamente, usando os três tipos de beijos já descrito lá por cima, que não tinham tempo nem de se entrosar na conserva que as outras três, alegremente tagarelas, desenvolviam durante o tempo que por ali estive. Ninguém disse nada, muito menos eu. Aliás, não disse, não digo e não direi nunca pelo simples fato de ser adepto dos seguintes pensamentos: cada um faça lá o que bem quiser e os incomodados que se mudem. E em assim sendo, como também eu faço aquilo que quero, digo e repito sempre, goste ou não goste quem quiser: Eu acho arretado!
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